Não sei como funciona no resto do nosso Brasil, mas, na capital todos os bares recebem 10% a mais de seus fregueses, que é destinados aos garçons e havendo banda ao vivo se cobra cover obrigatório (geralmente se cobram 10 reais por pessoa). Não importa, se o atendimento e a banda seja de ótima ou péssima qualidade, os estabelecimentos brasilienses sempre cobrarão assim: cover obrigatório e a porcentagem do garçom opcional (garantido por lei).
Não sou a favor desse esquema de cobrança, eu apoio as gorjetas como a forma certa de contribuição a esses trabalhadores. Creio que o serviço do garçom é trabalhoso e honrado. Os clientes são exigentes, eles tem de estar atentos, vão e voltam, e as vezes fazem parte da conversa de alguma mesa sendo considerado como alguém que é muito próximo. Eu acredito que essa profissão merece ganhar algo a mais sim, e excepcionalmente vindo das pessoas que ele serve.Vale lembrar também os músicos, que devem estar atualizados e saber mandar bem para agradar a plateia.
A gorjeta é mais simbólica e ao mesmo tempo mais justa, porque dependendo do serviço ela pode ser maior ou menor. Não se deve caber ao cliente pagar o salario do musico, esse dever é do proprietário que os contratou, o musico deveria receber dos seus ouvintes apenas a gorjeta como forma de apreciação do seu serviço.
Esses dias fui a um bar excelente, espalhado de telões que passavam jogos de esportes variados, com um samba ao vivo de ótima qualidade. Eu e mais quatro colegas passamos algumas horas por lá, pedimos algumas canções para o grupo, as quais algumas foram tocadas, comemos a porção mais barata que o bar oferecia, e durante isso, o garçom sempre disposto ao nosso lado. Somos jovens estudantes, amantes do samba e futebol. Este bar em Brasília é um dos poucos que tem qualidade ao oferecer samba e futebol aos seus clientes. No final, nos deparamos com o valor da conta com o preço relativamente alto. Não achamos o preço absurdo, porém com a soma do cover (obrigatório) mais os 10% de gorjeta o preço subiu muito mais do que imaginávamos.
Optamos em não pagar a gorjeta do garçom, já que aliviaria o preço para todos da mesa. O que me pareceu um pouco injusto, pois o garçom nos atendeu prontamente. No momento de pagar, ao com o garçom que não pagaríamos a gorjeta, aproveitei para comentar que foi por uma opção financeira e não pelo seu ótimo trabalho. De certa forma, acreditei que elogiando seu trabalho iria, de alguma maneira, compensar a falta da sua porcentagem. Nosso amigo careca se indignou bodejou algumas palavras que não escutei, e no final disse: - se não fosse pra pagar esse serviço melhor seria nem ter vindo ao bar.
Para a situação não ficar mais incomoda, ninguém contestou. O carequinha trabalhou tão bem quanto os músicos e somente ele ficou sem uma contia, para mim foi injusto. Pensei até em dar alguns trocados que tinha na carteira, contudo não fiz nada, poderia parecer algum tipo de insulto naquela situação (além do trocado ser muito pouco). Enfim, o nosso pagamento foi mal distribuído.
Continuei pensando que esse sujeito,ao reclamar, tinha alguma razão. Eu compreendi o seu desabafo, e isso mostra que algo está errado, e que isso tem que mudar, por isso estou escrevendo aqui, passando uma nova ideia.
Porque essa forma de cobrança por taxas me parece errada? O ato de dar gorjeta tem de ser espontânea , não devia vir junto com o valor total consumido na messa. Essa forma de cobrança é mascarada, não sabemos ao certo se esse dinheiro vai ao garçom e por isso muitas vezes pagamos sem perceber. Sem contar que o garçom vai receber de acordo com o produto que ele colocou na mesa e não com o seu serviço.
Isso acaba com a meritocracia de um serviço e desvaloriza um trabalhador. Quando não apreciamos o serviços prestados não pagamos por ele. O garçom tendo consciência de que se o seu serviço vai ser remunerado de acordo com a qualidade, de imediato ele vai render melhor. Por isso a gorjeta tem que ser de acordo com a vontade e bom senso do cliente. Vai passar a existir um meio termo, havendo uma conscientização coletiva, quase nunca o garçom deixará de receber sua parte ao prestar um bom serviço.
Deveríamos ter a cultura de pagar essa gorjeta de forma livre. Escolher o valor apropriado de acordo com nossas condições e apreciação do trabalho oferecido.Poderíamos escolher também o valor que daríamos pela arte do cantor.Então caberia ao dono da propriedade apenas a parte de oferecer os seus produtos.
Países próximos daqui, como por exemplo a Argentina, tem esse costume, as pessoas pagavam suas contas e deixavam sobre a mesa alguns trocados.
Nesse dia, eu e meus amigos poderíamos ter reunido 1 real cada e dar 6 reais para o careca. Pagaríamos o mesmo para o grupo de samba. Assim, a conta não sairia tão cara e não escutaríamos aquele desabafo (eu considero assim) e eu não ficaria acreditando que houve uma injustiça. Devemos repudiar essas "taxas" extras e começar a pagar de acordo com nossa vontade. Acredito que daria mais valor aqueles que nos servem.
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